Arquivo para maio \22\UTC 2012

22
maio
12

Nosso mais novo trabalho.

A  informação sobre a depressão e suas formas de se manifestar faz toda a diferença para os diretores e voluntários das Casas Espíritas. Essa doença tem feito um verdadeiro estrago na vida de muitas pessoas em volta do mundo. Por isso dirigimos e produzimos este documentário que contou com a participação de Wlademir Lisso, Ercília Zilli, João Lorenço, Delmar Franco e Divaldo Pereira Franco.

A narração é de Odilon Wagner e a apresentação fica com Vanessa Marques.

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18
maio
12

Não somos todos médiuns

A proposta de Allan Kardec no campo da mediunidade ainda precisa de muito aprofundamento da parte dos estudiosos do fenômeno.

Primeiro vamos entender que Allan Kardec escreve “O Livro dos Médiuns” como uma continuação de “O livro dos Espíritos”; segundo, que existem algumas palavras que foram traduzidas de forma incorreta e vemos isso já no subtítulo da obra que em sua língua original foi adulterado por alguns tradutores, se não vejamos: no original temos “ Guide Des Médiums Et Des Évocateurs”, portanto a tradução correta seria “Guia dos Médiuns e dos Evocadores” e não “Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores” como se vê por ai.

Acreditamos que essa mudança da palavra evocadores para doutrinadores, se deve a nossa cultura judaico-cristã muito enraizada em nossa sociedade ocidental, propagada pelas igrejas católica e protestantes.

Analisando mais adiante temos notado que existem mais algumas outras questões que devem ser analisadas não só do ponto de vista da tradução, mas também do próprio entendimento da obra.

Vamos nos deter em uma questão especifica que está “dando o que falar” nos dias de hoje e sendo discutida por pessoas entendidas no assunto: Todos somos médiuns? Muitos dirão que sim. Inclusive Allan Kardec diz isso em “O Livro dos Médiuns”. Mas aonde especificamente existe está afirmação na Codificação kardequiana?

Essa afirmação é o que temos ouvido falar durante muitos anos em nosso movimento e com a afirmação de que fora Allan Kardec que escrevera sobre o assunto. Ele de fato escreveu sobre o assunto, mas não faz afirmação alguma da possibilidade de todos serem médiuns.

A confusão começa dentro da maneira como estamos analisando a obra de Kardec e alguns erros de tradução que acabam corroborando com essa situação.

Vamos recorrer então, da introdução que Allan Kardec faz em “O Livro dos Médiuns”, no segundo parágrafo, onde fala sobre a finalidade da obra:

“… Sua finalidade é indicar os meios de desenvolvimento da mediunidade em quem a possui, segundo as possibilidades de cada um…” (grifo nosso)

Podemos ver claramente que o próprio Codificador afirma ser a obra destinada aos médiuns e aos não médiuns.

No capítulo XXXII – Vocabulário Espírita, vamos ver qual a definição  que o Codificador oferece ao vocábulo espírita “médium”: “…(do latim, meio, intermediário): Pessoa que pode servir de medianeira entre os Espíritos e os homens.” (grifo nosso) O próprio Kardec  afirma nesta explicação que a pessoa “pode” servir de intermediário entre o mundo espiritual e o físico. Ora se tem pessoas que “podem”, existem os que não podem.

Em relação às próprias condições para a manifestação de fenômenos de efeitos físicos, existe uma condição primordial para que os mesmos ocorram: a presença de um médium. Vamos recorrer mais uma vez então ao Codificador para verificar o quanto ainda precisamos estudar o assunto. Vejamos então, no capítulo II da segunda parte de “O Livro do Médiuns”, Manifestações Físicas e Mesas Girantes, item 61: “Para  produção do fenômeno é necessária a participação de uma ou muitas pessoas dotadas de aptidão especial e designadas pelo nome de médiuns… Quanto às pessoas cuja mediunidade é nula, sua presença não dá qualquer resultado, podendo ser mesmo prejudicial do que útil…..” (grifo nosso)

Estamos descartando uma tradução que muda a palavra “nula” para “ostensiva”, pois isso definitivamente não está correto e causa muita confusão.

A pergunta que se deve fazer neste momento é: Em que lugar da codificação kardequiana está escrito que todas as pessoas são médiuns?

Alguns confrades usam o capítulo XIV de “O Livro dos Médiuns” e a questão 459 de “O Livro dos Espíritos” para corroborar com esta afirmação de que todas as pessoas são médiuns.

No item 61 do capítulo acima referido de “O Livro do Médiuns” vamos ler: “Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade…” (grifo nosso)

Se, são “raras” as pessoas que não a possuem em estado rudimentar, então existem pessoas que não são médiuns. Noventa e nove por cento de uma questão certa, não quer dizer que a questão está certa. Então, se a afirmação de que existe uma pequena parcela da humanidade que não é médium, essa parcela é o que Kardec chama de “rara”, então não podemos afirmar que todos são médiuns. “Pode-se” dizer que todos são médiuns é diferente de deve-se dizer.

Na questão 459 de “O Livro dos Espíritos” temos uma indagação de Allan Kardec e logo em seguida a resposta dos Espíritos:

P. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e atos?

R. Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que muito frequentemente, são eles que vos dirigem.”

Devemos lembrar que a palavra “frequentemente” também fora traduzida por “ordinário”. “Ordinário” pode significar sempre, mas “frequentemente” significa vez ou outra. Só aí já existe uma diferença nas traduções que, dentro do nosso ponto de vista compromete a ideia dos Espíritos.

Outro fator que deve ser lembrado é o de que o capítulo da questão acima exposto  traz o título “Influência Oculta dos Espíritos em Nossos Pensamentos e Atos”. O que está oculto é porque não pode ou não quer ser desvendado. Está fora da percepção.

Ser influenciado pelos Espíritos não significa que sejamos todos médiuns. Significa que somos todos espíritos, uns encarnados, outros desencarnados, portanto podemos sofrer a ação de uma entidade espiritual desencarnada, mas não percebê-la fisicamente. Isso é muito comum nos fenômenos de obsessão. Ser influenciado não é a mesma coisa que sentir a influenciação.

O que acontece é que no Brasil, há uma cultura de que para ser espírita você precisa ser médium. Isso é um absurdo.

A influência dos Espíritos em nossas vidas pode ser exercida por diversas maneiras, e isso nem sempre é percebida de forma fisiológica, o que caracterizaria um médium, ou seja, o médium tem um organismo preparado para sentir fisicamente a influência dos Espíritos em maior ou menor grau. Essa manifestação fisiológica pode ser medida por aparelhos, por exemplo. Um médium em transe psicofônico conectado a um aparelho de eletro-encéfalograma provoca alterações que podem ser medidas.

O assunto merece mais algumas considerações que neste artigo não vai dar para concluir, porém, vamos mais adiante um pouco.

No capítulo XXII que trata da mediunidade nos animais, que é outro assunto controverso em nosso movimento, mas não vai dar para falar dele agora, vemos no item 236, quarto parágrafo, a seguinte afirmação de Kardec: “…Por conseguinte, sem médium não há comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, de qualquer espécie que seja”. Mais adiante, no último parágrafo vamos ler: “... É, de resto, essa possibilidade de rejeição, própria da matéria, que se opõe ao desenvolvimento da mediunidade na maioria dos que não são médiuns”. (grifo nosso)

A questão é clara para que possamos nos aprofundar mais ainda em Allan Kardec. Mas uma coisa nos parece muito certa: nem todos são médiuns.

O assunto merece mais estudos e mais debates, pois ainda confundimos fenômenos anímicos com mediúnicos, fenômenos paranormais com mediúnicos. Logicamente todo fenômeno a mediúnico traz o seu componente anímico e vice-versa, mas precisamos deixar muito bem definida essa questão, para não se criar situações embaraçosas dentro de nossas Casas Espíritas, principalmente nos cursos de educação da mediunidade.

Vemos pessoas saírem dos cursos de médiuns, mas não apresentam a menor sensibilidade para a comunicação com os Espíritos. E embora elas não apresentem a ostensividade  mediúnica em maior ou menor grau, como afirma Allan Kardec, para caracterizá-la como médium, podemos ver alguns equívocos como: “sou médium de sustentação”. Me desculpem os confrades, mas isso soa mais como prêmio de consolação para aqueles que nada apresentaram de fenômeno mediúnico ostensivo.

A mediunidade não define Espiritismo. Um trabalho mediúnico não é feito apenas por   médiuns. Logicamente sem a participação de um médium, não existe a comunicação, mas ele não é o único elemento das sessões mediúnicas. Temos outras pessoas que dão suporte para a realização da tarefa e não são médiuns. Podem ser ótimos doadores de boas energias através de bons pensamentos e essa não é uma condição mediúnica, mas sim anímica, pois para se caracterizarem como médiuns, precisam da faculdade ostensiva; precisam ter a percepção física do fenômeno. Ser um doador de energias não significa que a pessoa seja médium do ponto de vista kardequiano.

Recorremos mais uma vez ao codificador em “O Livro dos Médiuns” – capítulo XXV – das Evocações, item 282. Perguntas sobre evocações:

  1. 1.       “Pode alguém evocar os Espíritos sem ser médium?

– Todos podem evocar os espíritos. Se os evocados não puderem manifestar-se materialmente, nem por isso deixam de se aproximar e ouvir o evocador.”

A própria pergunta pressupõe que, nem todas as pessoas são médiuns, se não Kardec não faria esta indagação.

O fato de uma  pessoa evocar um Espírito e ele não conseguir manifestar-se materialmente e tendo condições para isso, significa que essa percepção material só pode ser efetivada com a presença de um médium. Sem médium, nada feito.

Para encerrarmos esta matéria podemos também recorrer ao capitulo XXIX – Reuniões e Sociedades, item 347. “Os grupos em formação ás vezes ficam embaraçados pela falta de médiuns. Os médiuns são elementos essenciais das reuniões espíritas, mas não são propriamente indispensáveis e seria errôneo supor que na sua falta nada se tenha que fazer… Aliás, os grupos que contam com médiuns podem acidentalmente perdê-los e seria de lamentar se acreditasse não ter mais o que fazer.”

O assunto merece maiores reflexões para que não sejamos aqui taxados como donos da verdade. Há muito por estudar ainda.

Edelso da Silva Junior

documentarista e escritor espírita




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