Arquivo para julho \21\UTC 2011

21
jul
11

“O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar.
O trono exalta; o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher o coração.
O cérebro produz a luz; o coração o amor.
A luz fecunda.
O amor ressuscita.
O homem é um gênio; a mulher um anjo.
O gênio é imensurável; o anjo indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher a virtude extrema.
A glória traduz a grandeza; a virtude traduz divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher a preferência.
A supremacia representa a força; a preferência o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pela lágrima.
A razão convence, a lágrima comove.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece; o martírio sublima.
O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher o sacrário.
Ante o templo, nós nos descobrimos; ante o sacrário, ajoelhamo-nos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na fronte um auréola.
O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem pérola que o embeleza; o lago tem a poesia que o deslumbra.
O homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta.
Voar é dominar os espaços; cantar é conquistar a alma.
O homem tem um fanal: a consciência.
A mulher tem uma estrela: a esperança.
O fanal guia e a esperança salva.
Enfim, o homem está colocado onde termina o Terra.
A mulher onde começa o Céu.”

Victor Hugo

21
jul
11

A Aliança com Bezerra de Menezes


“No mundo o Brasil; no Brasil, esta terra que tem o nome do grande Apóstolo; e aqui, esta nossa casa, que será um farol a iluminar a humanidade.”

Foi esta a mensagem que Dr. Bezerra de Menezes transmitiu, via mediúnica, para o Comandante Edgard Armond quando este assumiu a tarefa de dirigir a FEESP no início de 1940.

A presença marcante do médico dos pobres, em espírito, em todo o território nacional, nas diversas entidades espíritas é registrada por diversos médiuns.

Bezerra de Menezes esteve ao lado do Comandante Edgard Armond orientando-o por diversas vezes, quando se fazia necessário, em praticamente todas as tarefas da FEESP. Desde orientações específicas sobre dificuldades existentes na administração, até as questões mais delicadas que envolviam as diversas maneiras de se interpretar os conteúdos doutrinários do espiritismo.

A criação do trabalho das vibrações coletivas que em nossa Aliança é realizada as quintas feiras, teve por parte de Bezerra, todo o detalhamento da importância deste trabalho conforme consta no livro “Passes e Radiações”.

Com o surgimento da Escola de Aprendizes do Evangelho que foi e é o maior celeiro de abastecimento de trabalhadores da FEESP, órgão de iniciação espírita com base no evangelho de Jesus, recebeu o aval de Bezerra nos seguintes termos nas palavras de Edgard Armond:

“É fora de dúvida, disse ele (Bezerra), que a expansão do Evangelho cristão deve ser incrementada o mais possível, atendendo-se, assim, a recomendação do Divino Mestre; e essa Escola de Aprendizes do Evangelho, na forma com que foi criada e vem sendo mantida, é elemento precioso e adequado a essa realização cujos resultados, aliás, estão patentes a todos que queiram ver. E, se naquela época essa criação se justificava, entre outras razões pela delicada situação do mundo, essa hoje se torna ainda mais preocupante, exigindo maiores cuidados e esforços na expansão.”
“O Plano Espiritual segue atentamente e dá franco apoio à manutenção dessa Escola, estimula carinhosamente os esforços reformistas dos alunos, a boa vontade dos trabalhadores e dirigentes, mas aconselha vivamente respeito ás finalidades, regras e métodos adotados desde o início, para que continue a ser o que sempre foi, a saber: a escola-padrão, célula máter do empreendimento e molde inspirado para organizações idênticas, em nosso Estado e fora dele.”

Em 1973 a propagação das Escolas de Aprendizes do Evangelho não fora efetivada. Ela ainda estava contida nas dependências da FEESP.

Esse foi um dos motivos que levaram um grupo de Casas Espíritas a se reunirem com Edgard Armond e daí surgiu, a proposta de criação da Aliança Espírita Evangélica que daria continuidade a multiplicação das Escolas de Aprendizes do Evangelho.

Não há como negar que a Aliança Espírita Evangélica deu continuidade aos ideais implantados na FEESP por Ismael e tendo Bezerra de Menezes à frente da empreitada.

A presença de Bezerra em nosso movimento de Aliança é sentida através dos ideais que norteiam nossos objetivos: a vivência do espiritismo religioso.

Como um homem que vivenciou de forma muito intensa este lado do espiritismo, impulsionando no movimento espírita a prevalência de seu aspecto religioso, não poderia deixar de dar seu integral apoio ao grupo de Casas Espíritas que idealizaram esta nova frente de trabalho em 4 de dezembro de 1973.

Conversando com dona Magdalena Armond, filha do Comandante Edgard Armond, médium de incorporação inconsciente e grande colaboradora das atividades de seu pai dentro do espiritismo, nos disse que por várias vezes o Dr. Bezerra utilizou de suas faculdades mediúnicas para orientar os rumos de nossa Aliança e afirmando que nossas atividades seriam de maior relevância para o futuro do espiritismo em nosso país, pois o homem, ainda não havia experimentado todo o cálice de suas maldades.

Pois é, a situação do mundo nos dias de hoje mostra que a previsão de Bezerra estava certa.

Nunca se necessitou tanto de auxilio espiritual como nos dias de hoje.

Esperamos que nossas atividades continuem oferecendo, não só o consolo nos dias tormentosos, mas instrução e evangelização para que o homem consiga encontrar o caminho da paz.

20
jul
11

Do convencionalismo espírita-cristão ao processo iniciático espírita

Resumo da palestra proferida no Congresso Espírita de 2011, em São Paulo, no mês de julho, nas dependências da Federação Espírita do Estado de São Paulo.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
A frase acima nos remete a uma linha de pensamento bastante pragmática. A humanidade sempre esteve às voltas de grandes calamidades físicas e morais. Não fora a intervenção dos Espíritos Superiores, teríamos chegado ao ponto de destruição total, seja ela dos valores éticos e morais, ou mesmo da própria condição material.
Embora a questão geológica, ainda permaneça intacta, guardadas as devidas proporções, é claro, pois não se pode fechar os olhos para os grandes cataclismas que atingem nosso orbe terrestre, não podemos dizer o mesmo do aspecto moral.
É urgente e imprescindível que rumemos com mais objetividade para um comportamento ético-moral, com base no Evangelho de Jesus, e na orientação de outros Espíritos de escol que por aqui passaram. Mencionamos a moral de Jesus, por uma questão ideológica, filosófica e por que não religiosa. É nas fileiras do cristianismo que militamos apoiados na estrutura mestra das obras de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo.
Dentro disso fazemos uma retrospectiva, regressando no tempo em que o Espiritismo aportava na Terra de Ismael: o Brasil.
Por volta de 1870 o Espiritismo chega à nossa pátria como uma tentativa de consolidação da Terceira Revelação, do Consolador Prometido por Jesus.
Devido a uma série de problemas na Europa como as Grandes Guerras Mundiais, o materialismo ali dominante, a descrença total nas instituições religiosas dogmáticas que insistiam num “crer cegamente”, em um muitos casos, “crê ou morre”, o Espiritismo encontrou no Brasil o terreno fértil para sua propagação.
Vivendo um período de grandes descobertas dentro das classes mais abastadas da sociedade brasileira no que diz respeito à fenomenologia mediúnica e os livros de Kardec, os nobres encontraram na codificação escrita originalmente em língua francesa, toda uma possibilidade de se propagar uma doutrina científica, portanto de pesquisa, racional, com sua filosofia avançada, uma maneira clássica de romper com o dogmatismo clerical que ainda imperava por estas terras.
Passada a fase da curiosidade fenomênica, adentramos o século XX com maiores perspectivas de realização no campo social espírita.
Cercados ainda pelas investidas religiosas opositoras à nossa causa, tivemos o auxílio do Alto, através de nobres confrades que formaram verdadeira barreira de proteção dos nossos ideais espírita-cristãos.
Reencarnam espíritos de envergadura, educadores de almas como Eurípedes Barsanulfo (1880), Bezerra de Menezes (1831), Batuíra (1838), Anália Franco (1856), Cairbar Schutel (1868), Jésus Gonçalves (1902), e outros. Graças a estes confrades o Espiritismo conservou-se intacto, apesar de alguns abalos, e contribuindo com a sociedade.
Foram vividos momentos importantíssimos na defesa de nossos ideais.
De forma muito bem organizada, demonstrando um logística espiritual perfeita por parte dos Espíritos Superiores, reencarna nas Minas Gerais, no ano de 1910, Francisco Cândido Xavier, que muda completamente a maneira como nossa sociedade via a mediunidade, a reencarnação, o Espiritismo.
A maior antena paranormal do milênio, através da sua psicografia, revelou ao mundo todo, um Espiritismo científico sim, filosófico também, mas acima de tudo um Espiritismo religioso, comprometido com a moralização do ser humano.
Chico Xavier com sua explosão de mediunidade consola pessoas que viam seus parentes, seus filhos, partirem prematuramente, multiplica seu trabalho assistencial através de ações caridosas levando pão a quem tinha fome.
Mas é na área da educação que sua mediunidade deu a maior contribuição. As suas mais de 400 obras psicografadas sob a orientação do Espírito Emmanuel, um educador por excelência, enriquecem a literatura espírita e apontam novos rumos para o Movimento Espírita: o da educação.
Esta foi uma época de novas descobertas sobre diversos assuntos dentro do Espiritismo. Todos os seus postulados foram abordados pela psicografia de Chico Xavier.
Apesar de todos os benefícios trazidos pelo incansável trabalho de Chico, o Movimento Espírita ainda carecia de um direcionamento mais objetivo na questão do ensino. Havia de certa forma uma espécie de assistencialismo em nossos arraiais e isso era um convencionalismo que não poderia absorver totalmente a Doutrina Espírita. Nessa postura convencional, a missão de educação ficava exclusivamente a cargo da boa vontade de cada indivíduo e sua noção pessoal de dever.
É neste momento que mais uma vez a Espiritualidade Maior encaminha mais um confrade para as fileiras espíritas.
É Edgard Pereira Armond, militar recém reformado da Força Pública do Estado de São Paulo. Armond desde sua chegada na Doutrina Espírita, mais especificamente no final de 1939, na FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), era possuidor de vasta cultura e grande conhecimento doutrinário.
Assumindo a secretaria geral da FEESP, Armond encontra um Movimento Espírita ainda engatinhando na codificação kardequiana. Tínhamos muitos espíritas comprometidos com a causa, mas a bem da verdade, poucos com conhecimento de causa.
Esse fenômeno era compreensível, pois o nível de alfabetização em nosso país era muito precário. Pior do que o de hoje, com certeza. As obras de Allan Kardec necessitavam de confrades com uma bagagem cultural muito grande para traduzir de forma simples para a população seus conceitos profundos.
A verdade era que as pessoas não estudavam a codificação kardequiana, muitos por não terem acesso à alfabetização, a uma formação cultural que possibilitasse uma melhor compreensão dos seus postulados, e os que estudavam o faziam por conta própria. Não existia uma metodologia de ensino que possibilitasse o acesso de forma igual a todos que desejassem se instruir nos postulados espíritas.
Edgard Armond percebeu tudo isso. E como era um educador, pois fora também professor da Escola de Oficiais da Força Pública, promoveu uma série de mudanças na área de ensino que revolucionaram a maneira de ensinar, aprender, e vivenciar os postulados espíritas.
Seguindo os passos do codificador Allan Kardec, que rompeu com um sistema de crenças religiosas e codificou o Espiritismo, Armond rompe com uma estrutura dentro da própria Doutrina Espírita, que necessitava produzir mais e dá início aos cursos e escolas de Espiritismo dentro da FEESP.
Esse foi sem dúvida o maior fenômeno de socialização do Espiritismo no país.
Não era o modelo de escola que conhecemos, no sentido acadêmico, formal, ou seja, ele não levou o Espiritismo para as escolas, pois isso redundaria em fracasso, como vimos em algumas experiências do passado que não frutificaram, pois o sistema educacional vigente entra em choque com os paradigmas propostos pela Doutrina Espírita.
Em 1950 com a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, ocorrem duas situações curiosas e que marcaram para sempre o ensino espírita: o rompimento com um sistema de apenas “aprender” conceitos doutrinários e inicia-se a experiência de vivenciar os postulados espírita-cristãos; e institucionaliza a reforma íntima.
A proposta era completamente revolucionária, pois antes mesmo do surgimento da teoria das inteligências múltiplas, tratando das diversas possibilidades do ser humano nos vários níveis de consciência, dando um salto qualitativo na questão da compreensão da mente humana e seus sentimentos, a Escola de Aprendizes do Evangelho trabalhava de forma didática e pedagógica a questão do pensamento, da ação e do sentimento. Como proposta revolucionária a Escola de Aprendizes do Evangelho leva o indivíduo ao conhecimento dos valores éticos e morais baseados no Evangelho de Jesus oferecendo-lhe a possibilidade do auto-conhecimento através da reflexão dos valores anteriores ao período escolar, e os que agora está recebendo. Com isso o aluno verifica se está disposto a viver estes novos valores, para que aprenda a dominar seus impulsos inferiores.
É clara dentro da Escola de Aprendizes do Evangelho a proposta do Espírito Santo Agostinho, na questão 919 de “O Livro dos Espíritos”: “Conhece-te a ti mesmo”; bem como o capítulo XVII de “O Evangelho segundo o Espiritismo” – Sede Perfeitos – mais especificamente o item 4, na frase: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações.”
O método proposto por esta Escola é eficiente pois conjuga ensino-aprendizagem, com consequências diretas e objetivas na vida de seus adeptos.
A questão de se criar um escola de iniciação espírita como a Escola de Aprendizes do Evangelho, não implica de maneira alguma em uma postura esotérica, ocultista. O sentido é outro. A experiência iniciática da Escola não é velada e muito menos exclusivista, oferecida apenas a “escolhidos”, misturando conceitos religiosos outros, que embora sejam respeitáveis, não encontram respaldos nela. Na verdade a iniciação espírita proposta pela Escola de Aprendizes do Evangelho, leva o aluno a sentir a necessidade de vivenciar os postulados cristãos, num sistema metódico e organizado, facilitando seu processo de compreensão através da própria experiência que vai vivendo durante todo o período escolar.
A experiência de aprendizado dentro da Escola de Aprendizes do Evangelho, embora seja vivenciada em grupo, no campo coletivo, somente começa a surtir efeito nas experiências individuais, durante a participação do aluno na sociedade, com exercício da ética e apoiada na força do exemplo. Através da didática da escola o aluno é estimulado pelo grupo a romper seus limites de forma individual.
O exemplo de que a proposta surte efeito na vida dos alunos, levando-os a uma postura de vivenciar os postulados cristãos, são as diversas frentes de trabalho que surgiram através do despertar dos alunos da Escola de Aprendizes na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Dentre elas podemos destacar a criação do C.V.V. – Centro de Valorização da Vida, da Casa Transitória Fabiano de Cristo, da Comunidade Terapêutica Francisca Júlia em São José dos Campos, das diversas Casas Espíritas espalhadas pelo Brasil, e por fim, da Aliança Espírita Evangélica com todos os seus desdobramentos. Claro que não fica por aí. Muitas outras propostas foram lançadas.
Neste contexto a importância dessas escolas de reforma íntima iniciadas dentro do ambiente espírita, delimita muito bem a diferença do saber e do pensar ou seja, da sabedoria e da inteligência. A sabedoria é fruto das vivências, das múltiplas experiências da vida, por isso quem tem sabedoria produz conhecimento, ao passo que uma pessoa inteligente é um indivíduo que busca a percepção das coisas, estuda, e com isso ele passa a reproduzir o conhecimento. É diferente.
No mundo em que vivemos, as pessoas focam seus objetivos no trabalho, nas horas de lazer, no conforto da família, na busca do corpo saudável, alimentando vaidades, orgulhos. Chegará um momento em que sentiremos a falta de ideais maiores. Se limitado a esses objetivos homem é levado ao tédio, ao desânimo, e ele começa a criar pseudo-necessidades para sua vida e para os que convivem com ele. Por isso sofre.
É aí que o ensino espírita funciona como o direcionador de objetivos maiores.
Na verdade a maioria de nós, quando participamos de uma instituição espírita, não achamos que necessitamos de uma escola de reforma íntima. Esta rejeição é natural. Enquanto estamos confortáveis com a vida, sem maiores problemas isso passa a ser irrelevante. A questão é que, quanto mais vemos os valores éticos e morais de uma sociedade serem corrompidos, mais temos a certeza de que essas escolas são cada vez mais necessárias dentro de nossas instituições.
Esperar que o sofrimento bata à porta é uma irresponsabilidade. Por isso a propaganda dessas escolas deve manter sempre a clareza de objetivos para que ninguém diga amanhã que não sabia que Escola de Aprendizes do Evangelho, por exemplo, é uma escola de reforma íntima com a intenção de acelerar o progresso individual de cada um, gerando consequentemente uma sociedade mais justa.

05
jul
11




tifacil
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