Arquivo para julho \28\UTC 2010

28
jul
10

Mediunidade e patologia – Edelso da Silva junior

Temos visto a afirmação de alguns confrades espíritas de que a mediunidade dá uma condição ao seu portador de sensibilidade mais aguçada em relação ao seu contato com os afazeres do cotidiano. Esta informação deve ser analisada com um pouco mais de cuidado para que não cometamos exageros dentro do nosso movimento, desculpando, ou melhor, justificando determinadas atitudes de melindres “exagerados” por parte dos médiuns ostensivos atuantes nas Casas Espíritas.
O fato de uma pessoa ser portadora de mediunidade ostensiva, não quer dizer que ela seja um doente que a qualquer momento se veja em estado de perturbação ou mesmo de exaltação de uma personalidade doentia, com os nervos a flor da pele, que não pode ser contrariada em seus desejos e vontades.
Temos tomado contato com alguns casos em que a pessoa se diz portadora de mediunidade e por isso sente tudo de forma mais ostensiva e isso traz perturbações e uma série de desconfortos no decorrer da sua vida em sociedade. Não podem ir a uma festa, pois vão sentir os ânimos, a exaltação de todos e com isso ficarão em estado de desequilíbrio, portanto mais felizes do que o dono da festa; se vão acompanhar um velório, absorvem a angústia dos familiares do “morto”, e isso faz com que caiam em profundo estado de apatia e depressão.
Ora, vamos tomar muito cuidado com esses tipos de afirmações que são fruto de uma interpretação equivocada das possibilidades da mediunidade.
Essas afirmações colocam a mediunidade numa condição de patologia que precisa de tratamento psiquiátrico.
Nós já passamos desta fase em que os médiuns eram jogados nos manicômios e esquecidos da sociedade como se fossem aberrações da natureza. Como se fossem “esquecidos” de Deus(!).
Após o advento do Espiritismo, a mediunidade foi tratada como deveria, uma faculdade natural do ser humano.
Dizer que os médiuns ostensivos são seres mais sensíveis do que os “não médiuns”, não deixa de ser uma verdade, mas afirmar que eles não podem ter uma vida social ativa, que não podem frequentar uma festa, ir a um velório devido sua “sensibilidade” aguçada, é colocar a mediunidade na condição de uma patologia que precisa ser tratada.
Em primeiro lugar, há festas e festas.
É óbvio que devemos selecionar os ambientes que frequentamos para não sermos vítimas de determinados espíritos, de energias viciantes que nos trarão problemas de várias ordens.
A grande questão é que o médium educado, que está em processo de espiritualização, buscando sua reforma íntima, participando de um grupo mediúnico equilibrado, não pode crer que seja um indivíduo tão sensível que não possa ter vida social, que não possa se expor a determinadas situações porque vai desequilibrar.
O médium não é um vaso de cristal que a qualquer momento pode quebrar.
O médium consciente, responsável, evangelizado, vai selecionar os lugares que frequenta. Saberá pelas escolhas que fez, que não pode se expor a determinadas situações, mas nem por isso terá sua vida roubada. Não viverá recluso como se fosse uma jóia rara, que de tão rara tem de ser guardada a sete chaves.
O bom senso deve imperar em todas as situações.
Pensemos nisso.

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28
jul
10

A Vida não é isto… – Edgard Armond

A vida não é isto…
8 de outubro de 1944

Considerando o regime comum e generalizado de sofrimento sob o qual vive o homem, somos levados a concluir, num primeiro impulso, que a vida é isso que vemos; que essa é a sua condição normal; que além dela somente existe Deus e a sua misericórdia.
Mas tal concepção é um erro por que a verdadeira vida do espírito é alegria e não trsiteza, esplendores de luz e não sombras, bem aventurança e não amargura. Realmente é da misericórdia de Deus que recebemos nosso quinhão de felicidade, mas essa felicidade é a condição mormal do espírito em quase a totalidade de sua trajetória e não uma exceção, feita a uns e outros, em dados casos.
Se, duma parte, compreendemos que este estado de coisas atual, e todo o passado que o antecedeu, resulta de ferrenha imperfeição moral do espírito – que vem das trevas do pecado para as claridades da libertação -; e que Deus se utiliza do látego da dor para arrancar as almas de sua inércia primitiva e revelá-las como criações divinas votadas ao bem e destinadas à luz; se, por isso mesmo, chegamos à compreensão de que o sofrimento é, portanto, um bem, nem por isso todavia nos devemos votar à sua mística, entronizá-lo em nossos corações, amá-lo passivamente, como muitos recomendam mas, ao contrário; reagir com todas as forças para afastá-lo de nossos caminhos, vizando dias e condições melhores.
Porque além destas barreiras escuras, que nos fecham os horizontes atuais, brilham estrelas e sóis, iluminando mundos acolhedores e benévolos.
Se examinarmos as religiões e as filosofias que o homem criou ou adotou desde quando adquiriu a faculdade da razão, veremos que apontam sempre céus radiosos à visão entenebrecida e à esperança sempre viva das multidões padecentes.
E o próprio Cristo, síntese de luz e divindade, se é certo que moveu seus passos através de sombras e dores, ensinando e exemplificando a humildade e a renúncia, como escudos aos males invitáveis, todavia, também nos advertiu que seu reino ainda não era deste mundo e que receberia-mos a compensação de todo o esforço dispendido no caminho das provas.
O espetáculo deste mundo em verdade não é nada animaor, nem o foi nunca; e isso deu margem a que pensadores autorizados criassem escolas e doutrinas pessimistas; não compreenderam que isso resultava da obstinação humana em mudar de rumo e também deste outro, mais fundamental, de estarem encarando uma visão isolada, puramente humana, local e não universal, considerando o homem de um só ponto de sua tragetória e não projetado em todo panorama evolutivo.
Por isso essas escolas devem ser desprezadas, não propriamente por erroneas mas por insuficientes.
O sofrimento é uma condição natural do ser humano nas primeiras etapas de sua jornada; mas fora desses limites é uma anormalidade, uma quase impossibilidade porque o homem eterno esse vive para a felicidade.
Por isso todos os instintos dormentes no seu coração; toda inspiração que lhe bafeja o pensamento; toda intuição que fulge rápida no seu íntimo, tudo brada por alegria, luz e paz.
Há no fundo do ser uma repulsa natural e instintiva pelas trevas, dores e amarguras, repulsa que é uma força ancestral ligada ao Cosmo e que impele sempre para coisas melhores.
Se a vida fosse somente isso que vemos melhor seria então que não houvessemos sido criados; mas felizmente as imperfeições, são estados transitórios e somente a luz e o bem são realidades definitivas.
Basta considerar que no universo a harmonia é lei soberana e suas manifestações são sempre de beleza e grandiosidade.
Apesar de ser este um mundo de provas para retardados, há sempre por toda a parte flores e paisagens, errebois e melodias, luzes e perfumes e somente os atos humanos destroem a transcendente harmonia, quebram a suavidade do ritmo, borram de negro a brancura da superfície.
O sol aquece a todos indistintamente; a terra sem repouso devolve ao homem centuplicadamente o fruto do seu trabalho; todo esforço justo produz resultados compensadores e o curso incessante das renovações apaga nas própias almas, com o tempo, os últimos resquícios da inferioridade.
O espetáculo da natureza, em comparação ao drama da vida humana, vale como uma amostra, uma antevisão dessas coisas melhores, dessa vida mais perfeita existente algures.
Paguemos, portanto, ao mal, nosso tributo inevitável, mas não nos deixemos engolir na sugestão errônea de sua universalidade.
Porque nosso mundo não é este.
Nossa vida não é esta.
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O homem puxou sempre para traz, na sua indesculpável obstinação; atrazou sempre a sua marcha – que podia ter sido bem mais rápida -; retardou a eclosão de suas possibilidades de melhoria, seja se acomodando e perpetuando vícios de sua natureza inferior, negligenciando seu expurgo, seja desprezando as faculdades boas, que sempre se esforçaram por vir à tona de sua própria consciência. Tapou os ouvidos às harmonias eternas; fechou o coração aos apelos dos sentimentos puros e negou atenção às inspirações e intuições superiores que lhe apontavam o verdadeiro caminho. Desta forma alimentou o sofrimento, endossou sua cidadania, e assim permanece; mas as leis da evolução seguem seu curso e, mais hoje masi amanhã, prevalecerão, fazendo sentir seu peso ao caminheiro recalcitrante.
Ajudemos, pois, o destino no seu esforço benéfico e felizes serão aqueles que, desde já, se disponham a combater pela sua emancipação descendo resolutos e deliberados ao campo das lutas espirituais.

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Mas nesse campo só venceremos se formos idealistas e possuirmos energias internas que mantenham sempre acesas as chamas do sacrifício; se nos libertarmos do preconceito e da trama inescrincável das inferioridades, em que nós próprios nos enredamos, desde que vivemos.
Rompendo com o mundo das formas e das convenções inibidoras faremos cessar nosso abastardamento, ganharemos liberdade e nos afirmaremos, como espíritos emancipados que escolheram e demarcaram por si mesmos seus caminhos.
É preciso coragem moral para fazer isso, mas esta virtude se conquista quando se dá o primeiro passo nesse sentido e quando se verifica que esse é o único meio de avançar com desembaraço, rapidez e segurança.
Ela nos vem também quando compreendemos que o fim da vida não é entronizar o homem pelo homem, exigir privilégios sem merecê-los e imaginar que a criação toda gira a seu redor, como cenário de sua grandeza; pensar que o fim da vida é o exercício e a expansão dos próprios sentimentos inferiores quando, ao contrário, deve ser sua extinção; não perceber, enfim, que seu motivo é glorificar a Deus, evoluindo na conquista gradativa de sentimentos cada vez mais puros e na prática de atos afins com as manifestações da prórpia divindade.
O homem, no seu miserável orgulho, tem Deus como um motivo de culto externo, à parte dele mesmo, e não como sua própria razão de ser e de existir; concorda com o império de Deus desde que, porém possa ele mesmo manter também seu próprio império.
Por isso a trama do que é humano o escraviza e o circulo vicioso se perpetua; por isso o sofrimento não se vai e domina soberano, como um senhor invencível no seu trono.
Mas quando a vítima resolver se libertar fa-lo-á sem a menor dúvida e se surpreenderá mesmo da rapidez do seu triunfo porque, nessa hora todas as forças vivas e benéficas da criação correrão em seu auxílio.
Para que o mal não triunfe sobre o bem, como nunca triunfou; para que o lutador se vença a si mesmo; para que o peregrino encontre afinal o Caminho, a Verdade a Vida.

28
jul
10

Incorporação Mental – Edgard Armond
Incorporação Mental
Julho de 1944

A incorporação mental, como todos sabem, é um dos aspectos mais comuns e mais generalizados da mediunidade.
Em trabalho anterior, publicado em 1942, sob o título – “Contribuição ao estudo da mediunidade” – dissemos: – “Sobre cem médiuns observados, oitenta serão provavelmente de incorporação, representando, portanto, esta modalidade uma grande maioria.
Desses oitenta citados, vinte serão de conscientes, cinquenta semi-conscientes e somente dez por cento podem ser inconscientes”.
No mesmo trabalho definimos a forma consciente como sendo um efeito puramente telepático entre o espírito ( transmissor) e o médium ( receptor); a semi-consciente como um avançamento no sentido da posse do médium pelo espírito comunicante e a inconsciente como inteiração dessa posse, com o afastamento do espírito do médium; disso se concluindo que incorporação realmente só se dá neste último caso.
Prosseguindo nossas observações fomos mais tarde verificando que existe uma outra modalidade dessa espécie de mediunidade que pode ser também enquadrada nessa classificação e com carcterísticas que a colocam em situação de superioridade sobre as demais do ponto de vista qualitativo e também representando um avanço no conhecimeto atual as práticas mediúnicas.
Trata-se da modalidade que, a falta de melhor termo, denomino – Incorporação Mental – e à qual já me referi ligeiramente em algumas vezes que tenho ocupado a tribuna da Federação Espírita do Estado para debater o fenômeno mediúnico.
O restrito espaço que me faculta um artigo de imprensa como este não me permite entrar em detalhes e por isso direi logo que – ncorporação mental, – como seu nome o indica, é o processo mediante o qual o espírito comunicante se assenhoreia da mente do médium, coloca-se em estado de plena inconsciência e assim exerce domínio, mais ou menos completo, dos campos físicos e psíquico individuais.
O que caracteriza e distingue esta modalidade das demais formas conhecidas é o seguinte:
1. não há transmissão telepática, como ocorre nas formas consciente e semi-cosnciente, já estudadas;
2. não há incorporação física, com afastamento do espírito do médium, como ocorre na forma inconsciente;
3. não é indispensável a presença do espírito comunicante que, neste caso, atua à distância;
4. o médium não perde sua capacidade ambulatória nem há inibição de qualquer natureza para o lado do corpo físico;
5. o médium não é submetido a sono sonambúlico e nenhuma interferência anímica pode ter lugar;
6. opera-se uma neutralização da mente individual do médium que fica à disposição do espírito comunicante e através da qual este passe a dominar inteiramente o corpo físico do médium.
Como bem se compreende, para esta forma de mediunidade, exige-se médiuns especiais, dotados, de sensibilidade apurada, de perfeito equilíbrio psíquico e, sobretudo, de elevadas condições morais.
Não são os médiuns comuns e, portanto, esta é uma mediunidade de exceção.
Por outro lado, trata-se de um processo de eleição para comunicação de espíritos superiores dotados de alta capacidade mental, os quais sem abandonar os planos que lhe são próprios e utilizando-se de energias cósmicas ainda pouco conhecidas, buscam seus pensamentos através delas, fazem contato com o médium assenhoram-se, como já dissemos, de suas mentes e através delas filtram seus prórpios pensamentos.
Este processo tem curso preferencial nos dias que correm quando, as baixas camadas espirituais ligadas ao planeta são muito densas, rudes, hostis e repulsivas às suas delicadas e puras condições pessoais.
Estudiosos do espiritismo façam suas observações neste sentido e, possivelmente poderão, em breve, acrescentar novos subsídios à esta minha despretenciosa colaboração que unicamente tem em vista focalizar um novo detalhe do conhecimento psíquico dentre os muitos já vulgarizados pelos cânones, nada rígidos ou dogmáticos, mas sempre progressivos e evolventes, de doutrina.
Só me resta, agora, acrescentar, como remate, que temos podido constatar esta nova forma de comunicação mediúnica algumas vezes em trabalhos que pessoalmente dirigimos e, ainda há poucos dias, o verificamos quando, presidindo a uma sessão de desenvolvimento mediúnico, na Federação Espírita do Estado, um médium desta categoria, influenciado por um Irmão Maior que se nomeou – Paulo, o humilde servo do Senhor – nos transmitiu uma mensagem do Guia Emmanuel, que a seu turno transmitia algumas palavras do Cristo.
Esta mensagem foi inserta, na sua íntegra, e no número quatro de “O Semeador”, órgão oficial de publicidade desta nossa Casa.




tifacil
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