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O Sentido místico das Escolas de Aprendizes do Evangelho

A questão do misticismo dentro da Escola de Aprendizes é assunto pouco compreendido em nosso meio, pois segundo os mais ortodoxos, o espírita não pode ser um indivíduo místico, e sim racional como recomendou Allan Kardec.
Na verdade quando Edgard Armond disse que a Escola de Aprendizes deve possuir um ambiente místico, ele não estava se referindo há um misticismo improdutivo, mórbido, sem um mínimo de racionalidade. Parece paradoxal falar de misticismo racional, não é? Mas não é, não. O próprio Armond explica este sentido místico que imprimiu na Escola de Aprendizes em artigo para o jornal “O Semeador” do mês de abril de 1967, como um sentimento elevado que nos liga ao Criador:

“Misticismo

Os textos religiosos e doutrinários, esotéricos ou não, tem sempre sentido místico e, para muitos, isto é fator depreciativo.
Os textos das doutrinas orientais são marcadamente místicos e simbólicos. Veja-se por exemplo, os livros A Voz do Silêncio, de H.P. Blavatsky, e Luz No Caminho, de Mabel Collins, que são exemplos clássicos e expressivos do que afirmamos.
Duas são as razões principais desse feitio literário:
1) A aura dos grandes seres cobrem vastas dimensões da criação universal, e de integração de Deus – o Criador eterno – cobre a criação toda; e o estado místico favorece a integração dos seres nessas auras, mais ou menos superficial ou profundamente, segundo o grau de sua própria condição evolutiva.
2) O misticismo é uma força íntima que ajuda o crente a sustentar-se na luta; exerce forte atração mental e sensibiliza o Espírito do iniciante, despertando-lhe impulsos benéficos de espiritualização.
Os textos místicos prendem o leitor e quantas vezes não o encaminham realmente para esforços mais amplos, e tentativas mais sérias de redenção própria?
Não há, pois, razão para se condenar o misticismo, salvo, é óbvio, quando ultrapassa os limites do equilíbrio que deve ser mantido; da razão, que deve ser conservada íntegra e de um mínimo indispensável de bom senso.
Assim fala o Espiritismo, que é doutrina racional e ao mesmo tempo, religião de fatos e de realizações espirituais objetivas.”

Jacques Conchon, um dos fundadores da Aliança Espírita Evangélica e amigo de Edgard Armond, também se viu diante da indagação de muitos companheiros de doutrina a respeito do assunto e escreveu um pequeno artigo que corrobora com o que transcrevemos acima:

“Não é fácil definirmos misticismo e qualquer tentativa de uma abordagem precisa está ameaçada ao fracasso.
Em geral, o vocábulo é empregado pelo povo para designar algo correlacionado com ocultismo esotérico, mistério, alegorias e símbolos, idealismo sem fé, rituais, etc.
Os dicionários falam-nos de “atitude afetivamente baseada numa lei irracional, numa doutrina, ou num homem” (Dicionário de Psicologia, de Henri Peéron, Ed. Globo) e é o mesmo autor que nos fala também em ‘conjunto de práticas conducentes a um êxtase’. Já no Dicionário de Psicologia, de Ganiel Valmor (Ed. Schapire), vamos encontrar: ‘disposição religiosa destinada a elevar o homem a Deus’.
Com respeito à primeira definição, aquela proveniente da sabedoria popular, manifestamo-nos frontalmente contrários, pois seria um absurdo admitirmos em nossos meios os mistérios, símbolos ou alegorias. O Espiritismo é uma doutrina de culto interior, onde os formalismos não tem lugar, sob hipótese ou pretexto algum!
Sobre a segunda, que nos diz de uma atitude baseada em lei irracional, dispensamos qualquer comentário pelo próprio absurdo que encerra.
A terceira, desde que entendamos por êxtase a alegria espiritual que sentíamos quando nos aproximamos do Criador, torna-se mais aceitável. A quarta é, para nós espíritas, bastante razoável, pois devemos não só aspirar mas também envidar todos os esforços para nos aproximarmos do Criador.
Após termos feito as considerações acima, concluímos que o misticismo não pode faltar ao espírita, mas um misticismo que nos leva à conscientização dos valores espirituais, em detrimento das formas físicas perecíveis. Um misticismo traduzido em profundas aspirações de atingirmos o mais alto, que se reflete numa vivência onde, apesar de estarem os nossos pés no chão, a mente se encontra voltada para outra vida, a verdadeira.
Sejamos místicos! Reconheçamos ser a encarnação um fato acidental em nossas vidas e esforcemo-nos, através do trabalho e do estudo, para acelerarmos a nossa comunidade em direção ao Criador, e assim desfrutarmos da oportunidade ímpar de experimentarmos diariamente aquela felicidade sem limites que explode em nossos corações quando sentimos que dentro de nós morre, todos os dias, um velho e nasce um homem novo.” (Jacques Conchon – Vivência do Espiritismo Religioso, ed. Aliança, 6ª edição)

Para nos apoiarmos em melhores exemplos, embora seja sempre difícil definir em palavras o que seja misticismo, vamos recorrer a algumas situações que caracterizam o ambiente místico dentro da Escola de Aprendizes do Evangelho:

a) Evitar assuntos triviais ligados a questões materiais, à vida fora dos ambientes espirituais;
b) Valorizar a atenção ao outro através do olhar, dando importância ao que todos falam;
c) Escutar com o coração, respeitando e evitando interromper o interlocutor durante sua explanação;
d) A luz suave que antecede a explanação das aulas, a música harmoniosa de fundo, a respiração profunda e o silêncio, não são apenas aparências, e sim, o início da ligação com o mentores da vida maior que estão reunidos conosco, nos auxiliando o progresso espiritual;
e) É muito importante que cada participante desta Escola esforce-se para se manter ligado com esta espiritualidade que também está presente através dos pensamentos e sentimentos elevados;
f) As preces e vibrações precisam ser acompanhadas sem desvio de pensamentos para que as mesmas produzam os efeitos necessários para o bem individual e coletivo;
g) Cada participante deve entender objetivamente o porquê de estar neste ambiente de alta espiritualidade;e
h) Embora todos os participantes devam auxiliar na preservação do ambiente elevado, seriedade não é sisudez, nem alegria é leviandade.

É com o grande pai da física moderna que encerramos este assunto:

“A mais bela e profunda emoção que se pode experimentar é a sensação do místico.” (Albert Einstein)

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maio
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Escola de Aprendizes do Evangelho

Criada por Edgard Armond em 6 de maio de 1950 na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP), foi uma inovação para a época.
Os espíritas acostumados a manter o aspecto religioso da Doutrina Espírita como se fosse uma utopia, um ideal muito distante daqueles que não estavam dispostos a encará-la como uma proposta única de espiritualização para a humanidade, codificada por Allan Kardec, se viam diante de uma proposta inovadora e ousada: aliar o Espiritismo ao Evangelho de Jesus não no campo das idéias, mas sim da prática.
Reunir pessoas em grupo para que, através dos ensinamentos trazidos por Jesus fossem administrados de forma ativa no dia-a-dia do espírita utilizando uma metodologia própria de auto-avaliação, estimulando o adepto da doutrina, o aluno da Escola a terçar armas contra as inferioridades que emergem dentro do próprio homem, com certeza era uma proposta que ia de encontro as reais necessidades do homem moderno, tão necessitado de novos rumos em direção a uma vida mais saudável, mais equilibrada.
Ao lançar esta proposta Edgard Armond institucionaliza na FEESP a reforma íntima, tão propagada nos dias de hoje, por diversas instituições, algumas até sem nenhum vínculo religioso.
Temos visto um enorme crescimento da proposta de se espiritualizar o ser humano, enfocando assim, os ensinamentos de Jesus, que veio trazer não uma religião, mas sim uma regra de comportamento que está acima das religiões.
Com a necessidade de se buscar respostas para o comportamento humano, coisa que as ciências encontram limitações, a Escola de Aprendizes do Evangelho é a reposta da Espiritualidade Superior para que a Doutrina Espírita não mergulhasse num mar de manifestações fenomênicas que não chegariam a lugar algum, pois de fenômenos mediúnicos o mundo sempre esteve inundado e isso não mudou o comportamento do ser humano, pelo contrário fez com que boa parte da humanidade ainda presa ao comportamento egoístico utilizassem estes mesmos fenômenos em causa própria.
Ao assumir o aspecto religioso do Espiritismo como o mais importante para a atual fase da humanidade, não em detrimento aos demais que formam o triângulo de sustentação doutrinária como o filosófico e o científico, A Escola de Aprendizes do Evangelho eleva a Doutrina Espírita à sua condição verdadeira de Consolador Prometido por Jesus, pois em termos de orientação segura para que o ser humano possa modificar seu comportamento, somente escolas que usam como metodologia o sistema de iniciação espiritual com base moral nos Evangelhos de Jesus, que segundo Allan Kardec é o suficiente para que o homem possa encontrar condições para uma evolução mais segura por se tratar da síntese de todas as orientações que a humanidade já recebera através dos grandes missionários que cunharam sua marca indelével nas civilizações anteriores do planeta Terra.
Neste momento em que a humanidade se encontra em franco desenvolvimento tecnológico, nunca houve tanta necessidade de uma moralização urgente.
A Escola de Aprendizes do Evangelho é uma proposta cósmica e forte auxiliar do Cristo para a construção de uma humanidade mais justa e perfeita.




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